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A América quer cair fora? Por que os Estados Unidos flertam com o fim da OTAN

Em meio a tensões diplomáticas, disputas geopolíticas e ao retorno da agenda “America First”, cresce nos Estados Unidos o debate sobre o futuro da OTAN. Este artigo explica, com base em fatos recentes, por que setores do governo e da política norte-americana passaram a questionar a permanência do país na aliança militar que moldou a ordem internacional do pós-Guerra Fria. Entenda os interesses estratégicos dos Estados Unidos, as pressões sobre os aliados europeus e os riscos de um possível enfraquecimento do pacto militar mais poderoso do mundo.

EUAOTAN

1/15/20263 min read

1. Mudança de Prioridades Estratégicas dos EUA

A administração do presidente Donald Trump — que voltou ao poder em 2025 — tem enfatizado desde o início uma nova doutrina de segurança nacional centrada no conceito “America First” (“América em primeiro lugar”), ou seja, colocar os interesses diretos dos EUA acima de compromissos multilaterais. Isso foi oficializado em um recente documento estratégico que critica aliados e pondera que os EUA focarão em sua própria segurança e esfera de influência antes de compromissos externos.

Esse tipo de postura sustenta, para muitos conselheiros e políticos americanos, que organizações multilaterais como a OTAN deveriam ser revistas, e que os EUA poderiam reduzir ou até romper compromissos se não virem benefícios tangíveis para sua segurança ou economia.

2. Divergências sobre o Enfoque de Defesa e Responsabilidades

Uma das críticas americanas mais repetidas é de que os aliados da Europa não contribuem o suficiente com gastos com defesa — vários países ainda não alcançam a meta de gastar 2% do PIB em defesa e os EUA têm pressionado para que esse percentual suba para 5%. Washington argumenta que, sem maior participação financeira, os EUA acabam suportando a maior parte do peso militar da aliança.

Essa narrativa alimenta a ideia, entre alguns líderes e comentaristas americanos, de que a OTAN já não serve tão diretamente aos interesses de Washington e que a aliança deveria ser repensada ou reduzida.

3. Questionamentos Públicos e Políticos Sobre a Utilidade da OTAN

Dentro do espectro político dos EUA, especialmente entre republicanos e setores mais nacionalistas, há uma desconfiança crescente sobre a necessidade da OTAN, com declarações públicas como:

  • Donald Trump alegando que Rússia e China não teriam medo da OTAN “sem os Estados Unidos”; e questionando se a aliança defenderia Washington — o que reflete uma visão cínica sobre reciprocidade na segurança coletiva.

Além disso, pesquisas anteriores mostraram que una parte significativa dos votantes republicanos acha que os EUA não se beneficiam tanto da OTAN, o que fortalece argumentos políticos por um possível afastamento.

4. Crises Diplomáticas e Tensões Com Aliados

A mais recente tensão envolve a posição americana sobre a Groenlândia, um território pertencente à Dinamarca e, portanto, coberto pelo Artigo 5º da OTAN. Trump voltou a afirmar que desejaria adquirir o controle da ilha — inclusive aventando opções que incluiriam pressões ou até uso de força — sob o argumento de que ela é fundamental para a segurança nacional e para reduzir a influência russa e chinesa no Ártico.

Tais declarações alarmaram os membros europeus da OTAN, levando líderes como a primeira-ministra da Dinamarca a dizerem que um ataque dos EUA contra um aliado “seria o fim de tudo” — ou seja, o fim da aliança transatlântica como a conhecemos.

5. Riscos de Violação do Compromisso de Defesa Coletiva

Uma ação unilateral dos EUA — como tentar anexar um território de um aliado — violaria os princípios básicos da Organização, o que tem levado a debates no Congresso americano e na mídia sobre leis que proibam o uso de fundos para tais ações e sobre a real disposição dos EUA em manter a aliança.

6. Narrativas Internacionais que Amplificam o Debate

A combinação de:

  • um discurso presidencial crítico aos aliados,

  • pressões por maior “compartilhamento de encargos” (burden sharing),

  • tensionamentos diplomáticos com aliados europeus,
    está contribuindo para que a OTAN seja vista em certos círculos políticos dos EUA não como uma “aliança indispensável”, mas como um compromisso oneroso, desatualizado ou até prejudicial aos interesses americanos imediatos.

O que isso não significa (ainda)

Até agora, não há um processo formal ou legal em andamento para retirar os EUA da OTAN — qualquer saída unilateral exigiria aprovação do Congresso, e leis existents limitam essa ação executiva sem esse consentimento.

Instituições oficiais da OTAN continuam reiterando a importância dos EUA na aliança, e representantes americanos têm afirmado que o país permanece comprometido com a defesa coletiva — mesmo enquanto exigem mudanças no funcionamento e no compartilhamento de custos.

O que podemos concluir

O debate sobre os Estados Unidos questionarem ou revisarem profundamente sua participação na OTAN hoje é impulsionado por:

  1. Uma visão estratégica mais nacionalista e “America First”;

  2. Frustrações com aliados sobre gastos de defesa e responsabilidades;

  3. Declarações públicas que questionam a utilidade mútua da aliança;

  4. Tensões diplomáticas de alta intensidade, como a questão da Groenlândia;

  5. Pressões internas no Congresso e na opinião pública americana.

Tudo isso tem levado analistas e líderes europeus a considerar cenários que, até poucos anos atrás, eram vistos como improváveis — inclusive um repensar radical do papel dos EUA e da própria OTAN no século XXI.